Por: M. Angélica Reis e Maurício G. C. Emerenciano.

Publicado em 15/06/2020.

 

 

 

 

Em junho a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) lançou o Relatório sobre o Estado da Pesca e Aquicultura Mundial, o SOFIA 2020 (State of World Fisheries and Aquaculture). O documento, publicado a cada dois anos, traz os dados produtivos da pesca e aquicultura relativos ao ano de 2018. Muitos dados importantes foram divulgados, dentre eles o recorde de produção pesqueira (extrativista) que atingiu 96,4 milhões de toneladas (crescimento de 5,4%) apesar da diminuição do número total de barcos de pesca em relação ao último relatório (2016). Mesmo com esse crescimento da pesca extrativa, a aquicultura continua sendo responsável por 52% dos pescados ofertados no mundo, batendo também o recorde de 114,5 milhões de toneladas produzidas em 2018 (3,2% de crescimento).

 

 

 

Em 2018, 88% de toda a produção de pescado (pesca e aquicultura) foi destinado ao consumo humano, que atingiu a média de consumo per capita de 20,5kg de pescado/ano. Além do aumento na produção, fatores diversos levaram a este aumento de consumo, como: (i) o desenvolvimento tecnológico das indústrias de processamento; (ii) redução das perdas e descartes; (iii) aumento de renda mundial e  (iv) maior disseminação dos benefícios do consumo do pescado. Em relação aos 12% da produção de pescado para uso não-alimentar, importante destacar que a produção de farinha e óleo de peixe apresentou uma significativa redução. Isso porque ao mesmo tempo que a porcentagem de inclusão destes ingredientes tem sido reduzida nas rações comerciais ao longo do tempo houve também o aprimoramento do uso de resíduos e subprodutos do processamento de pescado para a extração destes insumos, aumentando em 25-35% seu reaproveitamento.

Quando olhamos somente para a produção da aquicultura, verifica-se que grande parte do crescimento da atividade vem da participação da Ásia, que produz quase 90% - a China, sozinha, produziu em 2018 cerca de 35% de todo pescado do mundo. Em seguida, por continente, vem o grupo das Américas com 14%, seguido da Europa (11%), África (7%) e por último a Oceania (1%). No relatório é frisada a situação adversa do COVID-19, que prejudicará o mundo inteiro neste ano e em 2021, afirmando que a produção certamente será prejudicada. No quesito grupos de organismos, o documento mostra que os peixes seguem sendo os animais mais produzidos no mundo (66,1%), sendo que praticamente 87% do total piscícola produzido é oriundo de água-doce. Os moluscos são o segundo grupo mais produzido (21,6%), seguido dos crustáceos (11,5%). Especificamente os peixes mais produzidos foram as carpas (35,3%), seguido pelas tilápias (10,2%); as ostras verdadeiras foram os moluscos mais produzidos (33,2%) seguidas pelo berbigão-japonês (23,6%) e vieiras (11%); e o camarão marinho Litopenaeus vannamei segue sendo a espécie de crustáceo mais produzida no mundo (52,9%).

A aquicultura continua sendo a “menina dos olhos” para reduzir a fome no mundo com proteína de alto valor, gerar riqueza e empregos, tudo isso com foco total na sustentabilidade. Isso é notável na terceira parte do documento, na qual são feitas projeções para os próximos 10 anos. Nessas projeções, em 2030 a aquicultura saltaria para 204 milhões de toneladas produzidas (crescimento de 32%), apesar da redução da taxa de crescimento de 4,6% em 2007-2018 para 2,3% em 2019-2030. A grande aposta é no crescimento da piscicultura de água doce, principalmente com a produção das espécies Pangassius pangassius (peixe Panga) e das carpas. A produção das espécies de alto valor comercial como camarões e salmões também tem crescimento projetados nos próximos 10 anos. Tudo isso alinhado ao aumento do consumo per capita de pescados para 21,5kg, com a aquicultura sendo responsável por 60% destes produtos, emerge um cenário bastante otimista para a atividade nos próximos anos. Interessante não? Então apertem os cintos pois este “avião” chamado Aquicultura esta apenas decolando!

Quer conhecer o relatório na íntegra? Acesse o link abaixo e boa leitura!

 

http://www.fao.org/publications/sofia/2020/en/

 

 

 

 

 

 

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