Por: M. Angélica Reis, William Bauer e Maurício G. C. Emerenciano.

Publicado em 02/05/2020

 

 

A edição de hoje da série #20Bioflocos da Kona Blue aborda a despesca nos sistemas intensivos de produção. Afinal, este é momento onde o desempenho do seu cultivo, manejo adotado e dedicação de toda a equipe são colocados à prova. O foco desta postagem é a produção de camarões marinhos, mas muitos conceitos aqui exemplificados podem ser aplicados na piscicultura. Antes de falar da despesca ou “despesca final”, vale recordar que ainda existem as despescas parciais ou seletivas. Utilizando métodos variados, elas objetivam retirar parte da biomassa ou uma biomassa de certa gramatura antes do final do cultivo, visando, entre outros, garantir a capacidade de suporte do sistema ou realizar uma venda parcial.

 

 

 

A despesca final é um momento crucial especialmente para fazendas que operam ciclos contínuos. Estas podem estar localizadas inland (afastados da costa) ou em áreas costeiras, e que reusam por diversos ciclos a água salgada ou salinizada ou recirculam a mesma. Este manejo é geralmente adotado por questões de biosseguridade ou por custos na obtenção e/ou salinização artificial. Por meio de técnicas específicas, a água deverá ser tratada visando a adequação dos parâmetros físico-químicos para o próximo ciclo. Horas antes do ato da despesca (vai depender do volume e tipo de drenagem) o nível da água é reduzido para facilitar a “pesca” ou retirada dos animais via sistemas de comportas ou drenos centrais (geralmente acopladas com caixas de despesca externas). Aparatos como redes manuais de arrasto dentro dos viveiros (Figura 1) ou redes externas acopladas às comportas são os métodos mais frequentes de retirada da produção. Se possível, parte da aeração deve-se manter em funcionamento e os demais componentes cuidadosamente removidos para posterior limpeza.

 

 

Hora de retirar a produção! Uma vez preparados gelo, insumos conservantes (se for o caso), equipe de despesca, comprador (onde já foi pré-estabelecido valores e estimativas de volume) e/ou logística de entrega ou armazenamento, inicia-se a despesca. Esse processo geralmente ocorre nos horários mais frescos do dia e deve ser realizado no menor tempo possível, garantindo a qualidade e frescor do produto. As amostragens para verificação do peso médio dos animais podem ser feitas ao longo da despesca, por diversas vezes, ou ao final do processo. Aí, é hora de contabilizar a produção despescada, e com isso será possível estimar o desempenho da produção, principalmente em termos de ganho de peso, conversão alimentar e sobrevivência, parâmetros decisivos para avaliar o sucesso técnico-econômico do cultivo.

 

 

 

Por último, mas não menos importante, vem a fase de limpeza e sanitização das estruturas, equipamentos e utensílios. Para tal, diversos produtos estão disponíveis no mercado e deve-se buscar recomendações técnicas visando um protocolo de aplicação adequado e garantindo a biosseguridade das unidades produtivas. Caso necessário, o vazio sanitário deve ser realizado obedecendo o cronograma da fazenda. Uma vez recebido o manejo apropriado, a água já tratada pode retornar as unidades produtivas e iniciar a fase de preparação para receber novos lotes.

Como citamos anteriormente, todo o trabalho e esforço da equipe  culmina com a despesca. O cumprimento à risca das recomendações técnicas é nitidamente perceptível nesse momento, verificando se as metas projetadas foram alcançadas. Caso positivo, é hora de abrir aquela cerveja gelada e comemorar. Ótimas despescas e até a próxima!

 

 

 

 

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