Por: M. Angélica Reis, William Bauer e Maurício G. C. Emerenciano.

Publicado em 18/04/2020

 

O controle e monitoramento da sanidade dos animais de cultivo vêm se tornando prática cada vez mais frequente e obrigatória em fazendas de criação. A edição de hoje da série #20Bioflocos traz à luz a sanidade e as avaliações cruciais que não podem ficar de fora do manejo da uma fazenda, principalmente nos sistemas intensivos de produção.

Mas em primeiro lugar falemos brevemente sobre o fator central da sanidade: a biosseguridade. Sabemos da existência de inúmeros patógenos na aquicultura, tornando a implementação de protocolos de biosseguridade fator essencial para minimizar os riscos de adquirir e disseminar enfermidades, garantindo o bom desenvolvimento da atividade. O investimento em capacitação técnica e aquisição de insumos de boa qualidade, a vigilância, disciplina e comprometimento da equipe envolvida são essenciais para o cumprimento das ações. Adicionalmente, manejos de desinfecção da água, utilização de berçários, certificação sanitária das pós-larvas ou alevinos, restrição de visitas/acessos às áreas de risco (tanques/viveiros, berçários), limpeza e sanitização rotineira das estruturas e equipamentos, destino adequado dos efluentes (caso seja necessário), controle da alimentação (quantidades e qualidade) e uso preventivo de aditivos na ração visando aumentar a saúde e imunidade dos animais são apenas alguns exemplos de procedimentos visando reduzir a introdução e disseminação de agentes patogênicos.

Além disso, quando o assunto são os sistemas intensivo com característica tão dinâmicas, o monitoramento contínuo e frequente do estado de saúde dos animais é vital. No caso do cultivo de camarões marinhos podemos destacar alguns exemplos de sinais básicos que são fáceis de observar e que servem de indicativo do status sanitário geral tais como: (i) atividade e natação; (ii) preenchimento do intestino, que pode nos indicar se o animal está se alimentando, ou se há necessidade de alterar a quantidade de ração ofertada; (iii) aparência e rigidez da carapaça (estado da muda), e; (iv) aparência e coloração dos apêndices (antenas, urópodos, etc.), pontos de melanização, necroses, entre outros. Também visualmente pode-se avaliar o tamanho e a coloração do hepatopâncreas, além do estado das brânquias. Todas essas informações devem constar em planilhas próprias, e caso necessário, contrastar com outros fatores tais como qualidade de água e manejos realizados, e assim encontrar possíveis interações. Ou seja: olhando para trás temos a possibilidade de rastrear a origem de um problema, para no presente e futuro realizarmos as ações adequados. Em outras palavras, se apoiar em fatos concretos e na dinâmica ambiental e assim evitar os “achismos”.

 

Outro método que pode ser realizado na fazenda é o método de análise a fresco. Para realizá-la o técnico capacitado confecciona lâminas com órgãos, tecidos e apêndices de animais coletados nas unidades de produção (recém-abatidos, ou seja, frescos) e as visualiza diretamente em um microscópio óptico simples. Esse método é extremamente útil na detecção precoce de enfermidades e avaliação geral do estado sanitário dos animais tanto nas fases iniciais como na engorda. Em relação as análises laboratoriais, alguns exemplos de destaque são (i) análise microbiológica através do plaqueamento e contagem de Vibrios na água e nos animais; e (ii) PCR e qPCR (reação em cadeia da polimerase convencional e em tempo real). A análise para quantificação de Víbrios pode auxiliar na elaboração de protocolos de controle desse grupo de microrganismos. Já as análises de PCR e qPCR são ferramentas de diagnóstico de enfermidades de grande impacto sendo utilizadas como testes confirmatórios de alta especificidade.

Ambas análises são muito importantes, e apesar de serem realizadas com certa frequência em fazendas comerciais em diversos países, ainda são de difícil acesso à maior parte dos produtores no Brasil.

Quando o assunto é a saúde dos animais todo cuidado é pouco. O monitoramento frequente com ações combinadas e realizadas previamente podem evitar mortalidades e ser o diferencial entre o lucro e prejuízo. Diferente do que dizem por aí, na aquicultura “o que os olhos não veem, o bolso sente”. Até a próxima!

 

 

 

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