Por: M. Angélica Reis, William Bauer e Maurício G. C. Emerenciano.

Publicado em 04/04/2020

 

A biorremediação é um processo onde microrganismos atuam em um ambiente consumindo certos nutrientes e/ou outros compostos químicos transformando-os em substâncias não-tóxicas ou de menor toxicidade. É sobre esse incrível tema que a série #20 Bioflocos abordará nessa edição.

 

Primeiramente, é importante falar dos conceitos de ‘probiótico’ e ‘biorremediador’. Probiótico é o microrganismo que atua diretamente no trato gastro-intestinal dos animais, melhorando a absorção de nutrientes, competindo com patógenos no organismo, melhorando o sistema imune, entre outros mecanismos de ação. Um biorremediador, por sua vez, vai atuar no ambiente de produção (na água ou no solo), e, por consequência, acabará tendo efeito benéfico também no animal. Muitos produtos comerciais utilizados na aquicultura atualmente acabam por apresentar ambos efeitos – na ambiente e no animal - e são genericamente todos chamados de probióticos.

 

Se olharmos a definição de biorremediação notamos que os microganismos “naturais” presentes em um ambiente de cultivo em bioflocos  desempenham exatamente o mesmo papel. Este verdadeiro “exército do bioflocos” atua na degradação da matéria orgânica, no sequestro da amônia e/ou processo de nitrificação, na competição com patógenos, na colonização indireta do trato, entre outras funções. Então emerge a pergunta de 1 milhão de dólares: se naturalmente o bioflocos e seu exército já fazem isso, por que é importante o uso de biorremediadores comerciais? A resposta é estabilidade e equilíbrio. Esse “exército externo especializado” com suas diferentes cepas de bactérias, leveduras, entre outros, ajudam a manter o sistema estável, mais previsível. Alguns exemplos práticos são o controle da matéria orgânica, dos lodos, controle sobre populações indesejáveis como os Víbrios ou “blooms” excessivos do fitoplâcton, além de uma atuação direta e indireta melhorando a saúde e a resposta imunológica dos animais.

 

Como diz um grande amigo colombiano e um dos maiores especialistas da cadeia da tilápia daquele país: “...é o quarto pé da sua cadeira favorita, onde sem ele sua cadeira vai cair”. Ele quis se referir que além do correto manejo microbiano, a nutrição, a genética e a engenharia do sistema são elementos vitais para o sucesso de qualquer cultivo em BFT. Santas palavras e nós assinamos embaixo. E qual o melhor momento de aplicação dos biorremediadores? Na preparação da água antes do povoamento e durante todo o ciclo (ou pelo menos nas primeiras semanas onde os bioflocos estão se estabilizando). As aplicações são normalmente semanais ou podem ser aumentadas ou reduzidas de acordo com os resultados de qualidade de água. 

Como dica final busquem sempre empresas especializadas e sigam as dosagens recomendadas. Um grande abraço da equipe Kona Blue e até a próxima postagem!

 

 

 

 

 

 

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